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Sim! Sim! Sim!
Wednesday, April 27, 2005
  Mulher, mulherá, mulherão
Mulher: verbo que se conjuga no futuro do presente

Esse é o sexo que vive no futuro, que nunca é, mas que sempre poderá ser... melhor. A mulher sempre será melhor depois. Depois de fazer depilação, depois do novo corte, depois da balayage, depois da escova no salão, depois da manicure, depois da maquiagem, depois de encontrar seu grande amor, depois da TPM, depois da análise, depois da dieta funcionar, depois da academia, depois da roupa nova, depois da massagista, depois da lipoaspiração, depois do botox, depois da plástica. Mulher é sexo inacabado.
Talvez a incompletude que Freud remeteu à falta de pênis esteja na falta de muito mais. Na falta da última novidade da tecnologia cosmética, do clareamento dental, do spray que deixa o corpo todo bronzeado, do blush que dá saúde ao rosto, do pó com efeito bronzeador... Novidades de hoje e de amanhã.
Talvez mulher não seja um substantivo, mas um verbo que quer ser adjetivo. Mulher, infinitivo; mulherão, futuro do presente. E o mais contraditório é que a mulher vive lutando contra o tempo. O tempo só a deixa melhor quando é espera de algo a ser feito, mas quando é o tempo que vai agir, vem o desespero. Com o tempo, vem a plástica e os cuidados passam a ser mais invasivos e doloridos. Mas o que importa que antes do melhor venha o pior, a dor?

Às vezes as soluções de beleza não funcionam; às vezes a mulher perde a hora do salão ou tem que sair às pressas e não pode cuidar do visual. Essa é uma mulher triste, que se sente quase pelada. Eu não condeno as mulheres, sou uma delas e estou atenta a mim, cuidando e reformando aqui e ali. Somos todas obras de igreja, sempre com alguma coisa por fazer. Mas não devemos exagerar, ou viraremos clones de um ideal que não tem a cara de ninguém. E até um clone tem que ter algo de autêntico.

Nesse sentido, sugiro que as mulheres de tempos em tempos, quase como uma brincadeira, deixem algo em si mais ao natural, pode ser as unhas sem esmalte (mas com aspecto de cuidadas, lixadas, limpas), os cabelos mais à vontade, com algumas ondas ou fios fora do lugar (que mal há nisso? Fica mais selvagem; mas não os deixe engordurados...), o rosto sem maquiagem, ou apenas com uma ou duas coisas (só rímel e blush, só batom e lápis nos olhos, só um brilho e filtro solar...), figurino discreto e mais casual (se bem que essa é a tendência, muito chinelo, bermuda, mini-saia acompanhados de camiseta de algodão branca e uma sacolona de sarja ou palha; na praia, um biquíni estampado e um chapéu grande de palha ou branco).
Aproveite o verão e caia no despojamento, sem deixar para ser a mulher que você quer ser só amanhã. Seja essa mulher hoje, inclusive nas atitudes. Fale o que tem que ser dito, faça o que tem que ser feito e viva o instante, que logo vai passar, mas sem a angústia do fim, porque quem realmente sabe viver o momento não fica temendo o pior, faz o melhor agora e deixa o depois chegar. Porque a vida pode ser lugar para sabedoria. E o verdadeiro prazer está no que vivemos com qualidade, com entrega, com tranqüilidade. 
Sunday, September 12, 2004
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Já tive cabelos castanhos. Hoje são “louro dourado sete barra três”. Era mais ou menos magra ou falsa magra; hoje tenho 22% de gordura e tenho que perder um quilo e meio de massa gorda e ganhar massa magra para compensar a que a idade vai levando.
Saudades do tempo em que era branquinha com algumas sardas que ainda não tinham sido batizadas de cloasma; quando através das minhas coxas cheinhas via minhas veias, hoje vejo já na superfície muitos vasinhos que merecem picadas de agulhas finas para desaparecer e sempre voltam a me assombrar quando quase esquecia da dor que os fez sumir – temporariamente -, e já tive até notícia de que tenho varizes que terão que ser operadas... Ainda posso esperar um pouco; vamos esperando... Os dentes são os que o aparelho fixo seqüelou, deixando raízes atrofiadas que vão me incomodar na velhice... Nunca fumei, mas o tempo tratou de amarelá-los do mesmo jeito. Bem, ao menos o pulmão não terá os malefícios da nicotina...
No meu banheiro tenho três sabonetes sobre a pia. Minha pele voltou a ser oleosa e agora uso um sabonete para deixá-la com menos brilho; já não uso o sabonete que a hidratava e tenho que usar outro neutro para não ressecá-la demais. O terceiro sabonete é um bactericida, porque uso lentes de contato e tenho que estar com as mãos bem limpas para manipulá-las.
De dia, filtro solar o tempo todo no rosto, colo e outras partes expostas; no verão verei se pego um sol bem cedo para ao menos tirar o tom cinza das pernas e braços – no rosto terei que usar meu filtro de cor de pele com um blush para não parecer que estou passando mal...
Meu cabelo já foi semi-louro umas mil vezes - nunca acertei na cor. Foi copiando a natureza e tentando imitar o que tinha de graça que agora sei que fico melhor mesmo morena, cabelos castanhos com um leve brilho de balayage, que só faço umas duas vezes por ano - entre uma e outra engano com tonalizante sem amônia, que não apaga todas as mini-luzes.
Para ficar com o corpo que tenho hoje tenho que seguir uma dieta feita por nutricionista, não pular refeições e nem deixar de comer minha cota diária de proteína. No mais, tudo normal (quem se alimenta de um jeito normal?): carboidrato, fibras, cereais, leite e derivados... Nada de diversão gastronômica - da última vez que saí da dieta foi para comer pães de queijo velhos da padaria (parecia um cachorro bravo, rosnando e tudo. Não resisti à vontade de me sentir empanturrada...). E isso não é para ficar com um corpo maravilhoso, que daria muito mais trabalho e requereria muita disposição física (que não tenho!), isso é só para não ficar toda caída e sem postura; só para conseguir carregar o esqueleto com alguma dignidade.
Não posso deixar de passar lápis preto ou rímel nos olhos, ou fico sem expressão no olhar... Ah, nas pálpebras superiores tenho que por uma cor e uso o blush mesmo ou uma sombra marrom. Também não sou ninguém sem meu corretivo de olheiras e meu duo base (tipo de pancake para disfarçar poros dilatados no nariz, que está sempre com um blush por cima...)
Está cada vez mais difícil ser quem sou...
As mãos têm que estar sempre cuidadas e com um hidratante com uréia, tipo luva de silicone – ainda bem que pesquiso e conheço alguns bons produtos baratos. E os caros também. Meu hidratante de olhos com vitamina C é La Roche-Posay, ao dormir uso fórmula de ácido retinóico com hidroquinona prescrita por dermatologista e hidratante anti-idade (com Dmae... Demais, né?) no pescoço e colo; meus shampoos, condiconadores e restauradores de cabelo são todos de linha profissional - alterno shampoo para cabelos tingidos, para não desbotá-los, para cabelo danificados, para couro cabeludo delicado e ainda um anti-caspa de grife quando a oleosidade ataca.... Às vezes uso condicionador leave-in, às vezes um restaurador de fios... Sempre tem que haver aquele diálogo cabelo e espelho antes do chuveiro... Para tentar melhorar, fiz semana passada a tal escova progressiva que andou proibida pelo Ministério da Saúde e fez das mulheres criminosas mascaradas (usadas para minimizar a toxidade do formol que vai na mistura) usuárias de fórmulas clandestinas de procedência ignorada...
Isso tudo é para parecer que sou assim sem esforço, que sou menos gasta do que o tempo que vivi me fez... Mas o resultado ainda é bom. Claro que quem me vê sabe em que década de vida estou, isso não é mais disfarçável – mas continuo com alguma beleza. Não quero reclamar. Só é meio chato na hora de pagar a conta... E ainda tenho que perder mais tempo na frente do espelho. Estou bem cuidada, ainda bem, mas isso é exercício diuturno...


 
Monday, July 12, 2004
  Estive um pouco a não pensar e disso extraí muitas idéias. Não pensar pode ser muito produtivo pra quem está sempre pensando demais.
Sem querer pensar, me peguei pensando agora que a vaidadade não é mais que um carinho que a gente faz a si mesmo. Carinho torto, exagerado, até desajeitado, mas é um carinho de qualquer jeito. Carinho que traduz algo que poderia ser amor, se não fosse vaidade.
E tentando entender melhor o que escrevi, penso que mexer nas palavras não vai melhorar o que nem sei dizer e deixo o dito assim, mal dito. Maldito seja.


Mas se não sei como dizer o que existe para não ser dito, que não o diga certo nem errado, mas que o aponte com minhas palavras ausentes e faça desta tentativa mal tentada uma poesia mal feita onde o que cabe é só a compreensão do que as palavras não podem dizer. E é esse existir que respira em silêncio que eu soluço aqui, do único jeito que não sei.

P.S.: Ainda bem que existem blogs para nos evacuarmos de idéias tão "tãos" ... Tantans...


+Rita Lee: "Nós somos diferentemente idênticos". (E eu entendi quando ela se referiu a Roberto de Carvalho assim).


 
Quem não for fútil às vezes que atire a primeira pérola. Um pouco de futilidade melhora o astral e a auto-estima, além de contribuir para a paisagem. O belo é o belo, e Platão não foi menos filósofo por tê-lo notado. Não que todos possamos ser lindos, mas que mal há em cuidar da casa em que mora nosso espírito? Futilidade é o nome mais feio da vaidade e do amor-próprio. Vamos ser fúteis com delicadeza...

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